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domingo, abril 24, 2016

Futebol, na alegria e na tristeza

Luiz Antônio Costa e Maria Aparecida Schweitzer Costa
- Alô, Silas e nosso grupo de jogadores! O time não pode dançar tão rápido em mais uma competição.
“Não passo de um mendigo do bom futebol. Ando pelo mundo de chapéu na mão, e nos estádios suplico: ‘Uma linda jogada pelo amor de Deus!’ Quando acontece o bom futebol, agradeço o milagre sem me importar com o clube ou o país que o oferece”.
É assim que o escritor uruguaio Eduardo Galeano inicia o seu Futebol ao sol e à sombra, livro que é uma homenagem ao esporte e seus heróis de todas as pátrias. 
Antes de entrar no assunto propriamente dito, ele oferece definições muito próprias, e românticas, dos vários aspectos e dos personagens do futebol. O gol: “É o orgasmo do futebol”. O árbitro: “O árbitro é arbitrário por definição”. O ídolo: “E um belo dia a deusa dos ventos beija o pé do homem, o maltratado, o desprezado pé, e desse beijo nasce o ídolo do futebol”. A bola: “No Brasil, ninguém duvida de que ela é mulher”.
Galeano vai buscar as origens mais remotas do jogo e as encontra na China, cinco mil anos atrás: “No futebol, como em quase tudo, os primeiros foram os chineses”. Porém, o futebol teria chegado ao Ocidente, às Ilhas Britânicas, “pelos pés dos legionários romanos”. O escritor vai encontrar citações sobre o futebol até em Shakepeare:
- Rodo para vós de tal maneira… Tomais-me por uma bola de futebol? Vós me chutais para lá e ele me chuta para cá. Se devo durar nesse serviço, deveis forrar-me de couro. (Comédia de erros)
E, em Rei Lear, o conde de Kent costumava insultar assim: “Tu, desprezível jogador de futebol”.
Por óbvio, Galeano detém-se na Copa de 1950, a tragédia que abalou o Brasil, provocada pelo time de seu país. Entanto, o escritor uruguaio não tripudia. Generosamente, destaca os craques brasileiros, inclusive o goleiro Barbosa, que tomou o fatídico gol de Ghiggia, que sacramentou a derrota do Brasil na final, por 2×1, em pleno Maracanã. A Jules Rimet foi para o Uruguai.
O gol foi de Ghiggia, mas todos os analistas são unânime em afirmar que o condutor da vitória foi o capitão do time, Obidulio Varela, que absteve-se de bater no peito, cantar vitória. Ao fim do jogo, cercado por jornalistas, atribuiu a derrota brasileira à “causalidade”, e evitou ser fotografado. Depois, passou a noite tomando cerveja com os jogadores brasileiros.
Se Ghiggia foi o carrasco uruguaio, Barbosa foi escolhido como o vilão brasileiro do jogo, o que alguns atribuem ao fato de ele ser negro. Em 1993, nas eliminatórios para o Mundial dos Estados Unidos, Barbosa foi visitar o selecionado brasileiro na concentração, porém foi impedido de entrar. Desabafou: “No Brasil, a pena maior para um crime é de 30 anos de cadeia. Há 43 anos pago por um crime que não cometi”.
Ghiggia, por sua vez, declarou anos depois:
- Apenas três pessoas, com um único gesto calaram o Maracanã com 200 mil pessoas: Frank Sinatra, o papa João Paulo Segundo e eu.
Eduardo Galeano é um jornalista e escritor uruguaio, autor de mais de 40 livros
Reprodução da coluna “Menu Político”, caderno “People”, edição de 22/6/2014 do O POVO

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